
Gran Torino
Março 22, 2009É muito arriscado escrever a crítica de um filme logo após sair do cinema, porque ainda estamos naquela empolgação com vontade de dar um 10 gigante pro filme. Já na manhã do dia seguinte percebemos que ele não é tãão bom assim e talvez um 9 seja melhor. Dois dias depois pensamos que talvez um 7 ou 8 seja mais adequado, até chegarmos a sua “nota final”. Arriscado ou não vou fazer isso agora com Gran Torino, porque há tempos que eu não me envolvia num filme como aconteceu com esse.
.

.
Eastwood é sem dúvida a representação do macho no cinema. O cara feia do velho oeste símbolo dos Estados Unidos. O tipo de pessoa que envelheceria com memórias de alguma guerra, com um carro dos 70 da Ford ou Chrysler e criando raiva de imigrantes asiáticos (e carros japoneses). É exatamente esse velho que ele encarna em Gran Torino. Ele encerra suas atuações no cinema com um papel que eu imagino que seja ele mesmo. Ele é um velho ranzinza que acaba de perder a esposa. Walt Kowalski é um típico americano aposentado: veterano da guerra da Coréia, racista, patriota, odeia imigrantes e mais importante e marcante, ele fala exatamente o que pensa sem dar a mínima para o que os outros vão pensar. A trama está envolta de seus novos vizinhos que são Mhong (um povoado que lutou a favor dos EUA na guerra Vietnã que mora na região de Laos, acho que é isso).
.
A história se desenrola na convivência entre Eastwood e seus novos vizinhos. Walt ou “Wally” acaba por aceitar o convite de Sue, a sua jovem vizinha, a entrar nesse ‘mundo’. Ele conhece toda a cultura, família e principalmente o jovem Thao. Um guri oprimido, pelo seu primo e seus “capangas”, quieto e covarde. Walt tenta transformar ele num homem e ao longo do filme paga de machão e tira os vizinhos de todos tipos de perigo. Com um estilo totalmente bruto com uma voz ríspida e grossa (algo similar a voz do batman, mas com mais peso) Walt acaba virando herói da vizinhança e consequentemente odiado pelos pseudo-gângsters do bairro.
Carregado de piadas racistas e comentários ignorantes o filme tem vários momentos engraçados e também consegue ser um filme sério e tocante sobre um velho que luta contra seus próprios demônios teme sua morte e vai de encontro a ela para salvar Sue e Thao.
Eastwood é o macho de Hollywood, ele levanta em todos a vontade de ser americano, define o conceito de homem que existe hoje. Eu deixo Stallone e Shwarzenegger sentados e coloco ele no alto do pódio como O MACHO do cinema. E uma salva de palmas para esse cara que aos 79 anos faz 2 dois filmes no mesmo ano e que desde Sobre Meninos e Lobos em 2003 vêm voltando com uma carreria como diretor ascendente com filmes como: Menina de Ouro, Cartas de Iwo Jima, Conquista da Honra, A Troca e agora Gran Torino.
.
Em resumo:
O filme, sobre envelhecimento e mortalidade, racismo e redenção é um dos melhores trabalhos de Eastwood: -envolvente, trágico e engraçado em níveis iguais.